Daniela D'Ambrosio
12/05/2006
Um
dos sucessos da venda direta em um país como o Brasil é o complemento de renda.
Em muitos casos, acaba sendo a única fonte de remuneração das revendedoras. Mas
nem todas as mulheres que gostariam de sair com um catálogo debaixo do braço
para ganhar o sustento atendem as exigências das empresas - que pedem um tíquete
mínimo de compras mensais, mais de 18 anos e, claro, nome limpo.
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Magdalena Gutierrez/Valor |
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Márcia Cavalheira, da O Rei dos Catálogos, que faturou
R$ 2,5 milhões em 2005, tornou-se a terceira maior revendedora Avon no
Brasil, a primeira da região
Sudeste |
Desempregada, Márcia
Cavalheira, colocou um megafone em seu carro e saiu pelas ruas de Osasco
chamando mulheres para ajudá-la a vender produtos porta-a-porta. Percebeu que
poderia centralizar a venda e contar com o auxílio de outras pessoas que a
ajudassem a engordar o negócio - principalmente as que não pudessem assumir
diretamente esse compromisso.
Criou
O Rei dos
Catálogos, empresa que faturou R$ 2,5 milhões no ano passado e reúne
um exército de 10 mil mulheres que revendem 14 diferentes marcas - de calcinha a
panela e produtos cosméticos. Muitas são analfabetas ou semi-analfabetas. Outras
são adolescentes ou têm nome no cadastro do Serasa. "É um mercado imenso", diz.
"Para muitas delas, garantir o supermercado ou a feira da semana já é o
suficiente."
As "minhas meninas" - como Márcia se refere às revendedoras
- são mulheres simples, humildes, como as cerca de trinta que compareceram à
reunião de apresentação da
Yakult Cosmetics na última
quarta-feira.
A idéia foi tão boa que Márcia decidiu vendê-la. A empresa
já tem 18 franquias - mulheres que pagam à Márcia R$ 15 mil só para repetir o
modelo de negócio, além de uma taxa mensal de royalties.
O desenho é
simples: Márcia reúne as vendas de todas essas mulheres em seu nome e as repassa
às empresas, como
Avon,
Natura e
De Millus. Dos 30% de margem que as empresas oferecem, Márcia
diz ficar com 10% e repassar os outros 20%. Com isso, tornou-se a terceira maior
revendedora Avon no Brasil, a primeira da região Sudeste. Resultado: já ganhou
seis carros e uma viagem à Europa.
Tem ainda o lado "social". Em Osasco,
onde mora, Márcia reúne 1,5 mil mulheres. Foi a um hospital da região que tem um
plano de saúde a R$ 70, ofereceu o seu "exército" e conseguiu negociar o mesmo
pacote por R$ 24. Fez o mesmo no
Bradesco. "Elas não precisam
de depósito inicial", diz Márcia que avaliza as contas como pessoa jurídica. Mas
a empresária também se cerca de cuidados. "Para quem tem nome sujo, só vendo à
vista", diz. "Elas recebem do cliente, me pagam e eu entrego o produto."