Yakult fortalece
área de cosméticos Daniela D'Ambrosio Valor
Econômico – SP, Empresas, B-4
Yakult fortalece área de cosméticos
A Yakult Cosmetics contratou um novo executivo para
reestruturar e reposicionar a marca. Com passagens pela L'Óreal e
Avon, Luiz Alexandre Moraes tem, na verdade, uma missão mais
audaciosa: ressuscitar a divisão de cosméticos da
Yakult. Com uma marca forte em alimentos, mas sem foco e
produtos de fôlego na área de beleza, a Yakult Cosmetics - que
nasceu ao levar os benefícios dos famosos lactobacilos para produtos
de pele - sobrevive com uma operação fraca no Brasil. Reúne apenas 5
mil revendedoras, número inexpressivo para um setor que reúne 1,5
milhão de consultoras, das quais 1 milhão só na Avon. "Estamos
praticamente começando do zero", afirma Moraes. Para
reverter esse cenário, a empresa prepara uma complexa
reestruturação, que inclui desde uma fábrica exclusiva para
cosméticos, até a estréia em produtos profissionais, uma área sem
vínculos com a venda direta. A partir deste ano, a
Yakult também pretende atacar todas as camadas sociais - começando
pela base da pirâmide, já que boa parte do portfólio é de produtos
populares. Acaba de fechar parceria com uma empresa de catálogos
para aumentar sua penetração nas classes mais baixas. E, para
conquistar o público A e B, lança, a partir de 2007, uma linha de
produtos preventivos - a porta de entrada para o disputado mercado
anti-idade, onde as duas maiores do setor, Avon e Natura, já travam
uma guerra de milhões de reais entre marketing e
pesquisa. "Nosso objetivo é dobrar de tamanho até
fevereiro de 2007", diz Moraes. Para chegar lá, o primeiro passo foi
nacionalizar toda a linha de produção (perto de 100 produtos
distribuídos entre nove linhas) e montar uma fábrica só para a área
de cosméticos em São Bernardo do Campo. Reservados, os japoneses da
Yakult são avessos a números e não revelam o investimento na unidade
- que era utilizada na fabricação de alimentos e foi totalmente
readaptada. Hoje, a empresa vende produtos para corpo, cabelo,
desodorante e perfumes. Aproveitando a experiência que
acumulou na L'Óreal, Moraes prepara a entrada da Yakult no segmento
de beleza profissional. Em setembro, lança uma linha de produtos
para a pele voltada a clínicas de estética e spas. "Vamos aproveitar
a tecnologia japonesa para explorar esse nicho", diz Moraes. Além da
venda porta-a-porta, a Yakult Cosmetics mantém uma única loja em São
Paulo, onde também oferece serviços de estética. Para
conquistar a baixa renda, a Yakult associou-se, nesta semana, à O
Rei dos Catálogos, empresa que reúne 10 mil revendedoras em quatro
Estados e já trabalha para Avon, Natura e outras 12 empresas de
vendas porta-a-porta. "A parceria sinaliza a estratégia de ampliação
da marca no mercado nacional", afirma Moraes. Atualmente, as vendas
estão concentradas no Estado de São Paulo. Para se
diferenciar das gigantes Natura e Avon, a Yakult trará para o
Brasil, no início do próximo ano, uma fórmula de sucesso no Japão:
um kit personalizado. A empresa prefere não dar detalhes, mas será
uma espécie de produto sob medida, encomendado pela revendedora após
alguns testes na pele. A fórmula seria avalizada por um farmacêutico
responsável. Para mostrar a marca ao público, a empresa
está fazendo uma campanha no metrô paulistano. Até o dia 15 de
junho, a marca Yakult Cosmetics estará estampada nas linhas que
cruzam a cidade. Também deverá fechar um contrato com o Morumbi
Shopping, onde, possivelmente, as consumidoras poderão testar
produtos. A experiência na venda porta-a-porta começou
com a área de alimentos. O varejo passou a receber os produtos
apenas na última década. Determinados produtos, como Yakult 40 (com
40 milhões de lactobacilos) chega ao cliente apenas pelo canal de
venda direta. Este ano, a multinacional japonesa completa 40 anos de
Brasil.
Rainha dos catálogos comanda um exército de 10 mil mulheres
Daniela D'Ambrosio
Um dos sucessos da venda direta em um país como o Brasil é o
complemento de renda. Em muitos casos, acaba sendo a única fonte de
remuneração das revendedoras. Mas nem todas as mulheres que
gostariam de sair com um catálogo debaixo do braço para ganhar o
sustento atendem as exigências das empresas - que pedem um tíquete
mínimo de compras mensais, mais de 18 anos e, claro, nome limpo.
Desempregada, Márcia Cavalheira, colocou um megafone em seu carro e
saiu pelas ruas de Osasco chamando mulheres para ajudá-la a vender
produtos porta-a-porta. Percebeu que poderia centralizar a venda e
contar com o auxílio de outras pessoas que a ajudassem a engordar o
negócio - principalmente as que não pudessem assumir diretamente
esse compromisso. Criou O Rei dos Catálogos, empresa que
faturou R$ 2,5 milhões no ano passado e reúne um exército de 10 mil
mulheres que revendem 14 diferentes marcas - de calcinha a panela e
produtos cosméticos. Muitas são analfabetas ou semi-analfabetas.
Outras são adolescentes ou têm nome no cadastro do Serasa. "É um
mercado imenso", diz. "Para muitas delas, garantir o supermercado ou
a feira da semana já é o suficiente." As "minhas
meninas" - como Márcia se refere às revendedoras - são mulheres
simples, humildes, como as cerca de trinta que compareceram à
reunião de apresentação da Yakult Cosmetics na última
quarta-feira. A idéia foi tão boa que Márcia decidiu
vendê-la. A empresa já tem 18 franquias - mulheres que pagam à
Márcia R$ 15 mil só para repetir o modelo de negócio, além de uma
taxa mensal de royalties. O desenho é simples: Márcia
reúne as vendas de todas essas mulheres em seu nome e as repassa às
empresas, como Avon, Natura e De Millus. Dos 30% de margem que as
empresas oferecem, Márcia diz ficar com 10% e repassar os outros
20%. Com isso, tornou-se a terceira maior revendedora Avon no
Brasil, a primeira da região Sudeste. Resultado: já ganhou seis
carros e uma viagem à Europa. Tem ainda o lado "social".
Em Osasco, onde mora, Márcia reúne 1,5 mil mulheres. Foi a um
hospital da região que tem um plano de saúde a R$ 70, ofereceu o seu
"exército" e conseguiu negociar o mesmo pacote por R$ 24. Fez o
mesmo no Bradesco. "Elas não precisam de depósito inicial", diz
Márcia que avaliza as contas como pessoa jurídica. Mas a empresária
também se cerca de cuidados. "Para quem tem nome sujo, só vendo à
vista", diz. "Elas recebem do cliente, me pagam e eu entrego o
produto."
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